sábado, 10 de janeiro de 2009

Feelings

Não é pra ninguém específico, só para contar uma história.

Há alguns anos, eu resolvi mudar de vida.
Não que não estivesse satisfeita com a vida que até então eu levava, mas é que depois de algum tempo fazendo as mesmas coisas, eu sempre costumo enjoar e perder o foco. Meus olhos começam a buscar novos horizontes e novas luzes.
Não sei, sinceramente, porque sou assim. Às vezes penso que seria muito mais fácil ter uma vidinha simples e regrada como todo mundo. Juro que às vezes eu penso isso. Mas não sou assim. Não sei o que Deus colocou em mim que me fez não ser assim, passiva. Ou pacífica, como preferir.
A questão é, resolvi mudar de vida quando achei que o que eu tinha não valia mais a pena. E foi aí, que do dia pra noite, eu resolvi vir pra Floripa, passar 20 dias. E durante esses vinte dias, eu li um livro chamado "Tudo ou nada" do Roberto Shinyashiki. O problema era que o autor concordava com todas as minhas idéias loucas. Resultado: esses vinte dias estão durando até hoje.
Lembro que voltei pro Rio num domingo frio, cheguei no aeroporto, olhei pros meus pais e disse: “eu não quero mais morar aqui.” Na terça-feira seguinte pedi demissão da empresa em que trabalhava e voltei pra Floripa. De mala e cuia. Sem emprego, sem casa e sem trabalho. A única coisa que eu tinha era confiança. Confiança que tudo ia se ajeitar. Como se ajeitou, graças a Deus. E tem se ajeitado até hoje.
Este é só um exemplo dos muitos que tenho vivido. Saídas de empregos, de relacionamentos, de moradias, de pessoas. Eu não sei porque sou assim, e às vezes, me pergunto qual preço eu pago por isso.
Claro que às vezes eu tenho vontade de me prender, “de criar raízes”, como me dizem. Mas olha... confesso que às vezes tenho medo das raízes. Medo de me machucar. Medo de criá-las e depois não ter mais quem cuide. Medo de me prender a algo que realmente não valha a pena. Me entendem ?
Também não sei pq eu estou falando sobre isso... Talvez por eu ter reencontrado o livro aqui na minha estante. Fiquei olhando para todos os meus títulos e pensando no que cada um desses livros me ensinou. E então, ao passar os olhos pelo "Tudo ou Nada" voltei ao ano de 2006, àquele inverno de 2006 que eu tinha que dormir com a cara no aquecedor para não morrer de frio (afinal, era uma carioca saindo do inverno de 30 graus do Rio de Janeiro direto para o inverno do sul do país – não foi fácil... rs).
Enfim. Tenho lido várias coisas a respeito disso, sobre liberdade em todos os sentidos, e sempre que leio fico pensando se eu deveria realmente ler esse tipo de literatura. De repente, chegando na casa dos 30, eu devesse começar a ler artigos e crônicas sobre vida doméstica, casamento e maternidade. Mas será que se eu fizesse isso, esta ainda seria eu ?

5 comentários:

leonampimenta disse...

Essa sua mania de não criar raízes e enjoar da mesmice da vida faz com que pessoas, incluo-me nisso, sintam sempre sua falta e tenham que aprender a conviver com a saudade.

Bom... o recado foi dado e quer dizer que sentimos sua falta por aqui.

Ps: Atentar-me-ei (escrevi certo?!) aos possíveis livros que um dia possa lhe dar de presente.

Marcelo Aristek disse...

cara!!! a frase inicial me lembrou uma outra... "tem gente que tem medo de cemitérios, temos q temer os vivos pois é impossível os mortes fazerem mal."

Marcelo Aristek disse...

Elem, vc deve ter 1 bilhão de qualidades e uma das minhas favoritas é essa sua vontade de nunca ser passiva/pacífica pras emoções e problemas da vida. se vc mudar essa seu geito de ser me avisa. nunca mais falo com vc. rsrsrs

Pensador Poético disse...

oiiii Ellen ..mas uma vez aqui né ... mas a verdade é que vc nasceu para voar e a onde você caminhar , tu ira cultivar raízes e depois criar outras em outros lugares , pois a questão é essa a tua liberdade está dentro de vc , mas ela é sempre invisível , então Elen Carioca rs rs assim como eu rs rs ...voa maisss até a liberdade fioca visível, voa longe rs . " fellings " é muito bom !

Eu sou a Fabiana Carneiro, disse...

É isso aí amiga!! Não vamos criar nem raízes e nem teias!! A vida doméstica, o casamento e a maternidade são importantes, mas o mais importante é o casamento que temos com nós mesmas!! Esse tem que ser eterno, até porque o divórcio é impossível! hehe E se no final só restarmos nós, no problems! A gente se junta, abre uma cerveja e dá muuuuita risada!!!! Amizade=maior bem!