terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Insônia

(...)

E aí ela me diz que tem dificuldades para esquecer, para deixar as coisas do passado no passado. E eu fico pensando em quantas vezes eu desejei que as coisas do passado realmente ficassem por lá. Mas elas não ficam. Elas me assombram e me chamam e me arrastam pra ele novamente. E eu vou. Eu vou porque lá é sempre melhor, lá é sempre mais confortável do que o real, o atual, o agora.

E ela me diz ainda que se realmente tudo fosse perfeito como eu penso, eu ainda estaria lá ou ele ainda estaria aqui, sei lá qual a ordem correta, mas ainda seríamos um, mas ela não entende o que acontece. Ela não entende e nem conhece o que se passa... E queira Deus que ela nunca precise conhecer.

E eu penso e peno e reflito e choro e grito e esperneio. E ele não está. E ele continua não estando. E eu penso novamente em ligar, em chamar, em dizer, em perguntar, em questionar o porquê de ele não estar aqui, de não estarmos aqui. Por que ele é o amor da minha vida??? Porque ele É o amor da minha vida. Ou não é? Ele é, eu sei. Eu sei disso. E ela me diz agora que se ele realmente o fosse, eu não sofreria. Mas ela não sabe que eu sou romântica, dramática e canceriana. E que eu quero pensar que ele também pensa, seja lá em qual cama estiver, que eu também sou o amor da vida dele e o quanto ele foi burro por ter me deixado partir.

E ela me diz que não é, que é ilusão, que é utopia, q é idiotice, tolice, babaquice ou qualquer outra coisa que termine com ice. E eu ouço e penso mais um milhão de vezes em como dói gostar de alguém pra sempre, pra sempre, pra sempre. E dói eternamente. E eu tenho medo disso nunca parar, curar, ter fim.

(...)

E eu penso em como vivo uma vida paralela, abrindo portas e janelas e paredes e coisas que eu nem quero de verdade. E penso ainda em por que faço, tão instintivamente, se eu realmente não quero nada disso, se eu não quero nenhuma delas, mas só a primeira de todas as portas, aquela que me fez abrir todas as outras - como se alguma vez na vida eu tivesse tido algum real interesse em abrir alguma coisa que não fosse a minha alma para ele. Quero justamente a única porta que está fechada. E aí, elas, as portas, janelas e paredes, vão ficando assim, abertas, sem graça, desbotadas e deslocadas enquanto eu simplesmente caminho por elas, fingindo interesse e brincando por algumas semanas até que aquilo se torne sufocantemente falso demais e estúpido demais e sem graça demais. Então, eu volto pro mesmo lugar quente de sempre e de antes e choro e grito e esperneio. E penso em te ligar, em te chamar, em te perguntar, em te dizer mais uma vez: me tira dessa droga de vida, me salva, me resgata, me acorda desse sonho terrível que é viver sem você. Vem e foge comigo, pelo amor de Deus.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Romeu e Julieta

Porque o maior amor da minha vida terminou no auge. E por isso mesmo, ele é considerado o maior de todos.

Quando eu era adolescente, assisti ao filme Romeu e Julieta. Fiquei até altas horas da madrugada assistindo à obra, e como se não fosse suficiente, fiquei gravando o filme em uma fita VHS para poder rever depois com mais calma e atenção. Pois bem, assisti tudinho, até o final e lembro-me perfeitamente do quanto achei a história maravilhosa. Maaas, lembro-me também do quanto fiquei indignada com a morte dos protagonistas. Poxa, logo agora que eles poderiam viver o seu amor perfeito, ouvindo o som das cotovias e tudo o mais, eles simplesmente... morreram. Que desperdício/absurdo.

Alguns muitos anos depois, me peguei pensando no quanto um amor pode ser perfeito... Ou melhor, até que ponto ele aguenta ser perfeito. Sim, porque após alguns anos juntos, nenhum casal vive mais a magia dos primeiros anos de namoro... O que me faz pensar que por mais maravilhoso e intenso que tenha sido o amor de Romeu por Julieta - e vice versa - ele, o amor, só sobrevive até hoje porque ele não pôde ser concretizado. Ou pior, ele não pôde ser exterminado pelo marasmo, ostracismo e caretice da rotina.

Tudo que é idealizado é perfeito, inclusive o amor ou qualquer outro tipo de sentimento. Fato. Idealizado, a própria palavra já diz: IDEAL. Quando um casal é separado no auge de sua paixão - seja lá qual for o motivo - sempre ficará aquela sensação de que aquele foi o melhor e maior de todos os relacionamentos que a pessoa já teve. Mas não sejamos injustos com os "amores" vindouros...

Se todo mundo que começasse um relacionamento permanecesse no encantamento dos primeiros anos, ninguém jamais se separaria, óbvio. Mas não é assim que funciona. Com o tempo, as relações tendem a amadurecer - assim a gente espera - e depois deste amadurecimento, ou começa a dar frutos, ou apodrece e morre. Com o tempo, as relações vão tomando uma forma mais normal, mais comum, mais humana e todo aquele endeusamento do início vai caindo por terra... e assim é. Como uma curva crescente: partimos de um ponto de equilibrio, o sentimento cresce, chega ao seu ápice e em seguida começa a descer. Claro, esta curva não precisa descer a ponto de voltar ao marco zero, mas descerá consideravelmente algumas casas antes de se estabilizar, e então, manterá uma constância. Com todo mundo é assim. A paixão é assim.... Por isso a diferença entre o "estar apaixonada" por alguém e "amar" alguém... São coisas bem diferentes... Sendo o primeiro termo mais forte, avassalador, e o segundo mais sólido, concreto, real.

Continuemos então o raciocínio. Se eu estou lá no auge da minha paixonite e de repente PUFF! tudo termina, com certeza eu terei a sensação de que nunca mais sentirei novamente algo com tamanha força. E isso não é verdade. A questão é que eu como tudo terminou no nirvana, eu não tive o (des)prazer de conhecer a tal queda da curva... Portanto, no(s) próximo(s) relacionamento(s) amoroso(s), como tudo dará certo - olha que otimista - eu me apaixonarei, , enlouquecerei e depois voltarei para o estado de normalidade. Amando placidamente, não mais estarei na zona de enlouquecimento que a paixão proporciona. E por este motivo, pela pacividade da coisa, sempre vou achar que aquele amor antigo, aquele que não deu certo, foi o maior de todos, maior, inclusive, que o atual... só que... será mesmo que foi?

Dizem que as melhores coisas são aquelas que vivemos no momento, no tempo presente. Sendo assim, e com este pensamento, acho que devemos parar de chorar pelo amor que não deu certo, parar de choramingar pelo leite derramado, parar de ficar endeusando pessoas que nem estão mais em nossas vidas e, principalmente, devemos olhar pra frente e dar chance de conhecer a queda. Porque a queda, aquela do amor constante, concreto e realmente ideal, essa sim vale a pena.

Um grande beijo.
Boas férias e boas festas.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Contradição

Elas chegaram, elas chegaram!!
As férias chegaram!!!


P.S.: Preciso dizer o quanto de saudade eu vou sentir dele ??? =/

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tired

Pode ser só cansaço de final de ano, pode ser só cansaço físico e mental. Emocional, principalmente. Cansaço e uma vontade incrível de pegar uma mochila, colocar nas costas e sumir por alguns dias.

Preciso de novos ares. Fato.

Que venham as férias.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quinto pecado capital: a inveja

E você acha que eu não queria ser como ela? Acha mesmo que eu não queria ser bonitona, descolada, viajada e ainda por cima ter aquele monte de fotos suas no meu álbum, assim como ela? Sim, eu queria. Eu também queria muito ter fotos suas me beijando na minha página do Facebook, pra todo mundo olhar e dizer: "ai, que fofos esses dois" ou até mesmo "ui, por que essa vadia existe na vida dele??"... Mas não, eu não tenho. Eu não tenho o cabelo dela, eu não tenho os olhos dela, eu não surfo, eu não sei dar piruetas no ar, eu nunca esquiei com você e nem muito menos viajei pelo mundo ao seu lado. Ok, eu também faço luta. Mas o que é isso diante de tudo o que o meu amigo Face me contou? Sou meramente a luva de boxe pendurada no seu chaveiro. Só. E mais emblemático, impossível.

E isso tudo pensando que eu nem sou feia, que eu nem sou tão careta e que eu nem sou tão enraizada a apenas um lugar... Mas ela... ela tem um quê a mais. Ela tem um alfabeto inteiro a mais. Ela tem - e sempre terá - um lugar eterno no seu coração. E eu tenho ciúmes disso. Tenho ciúmes de todo mundo dizer que ela era tããão gente boa, que ela era tããão bonita, que ela combinava taaaanto com você... E eu?? Eu também sou gente boa, eu também sou bonita, eu também combino com você. Ela é passado. Eu sou presente. E eu quero muito ser o seu presente. Pra sempre.

Dá pra entender isso?

Rehab

Todos os dias eu vivo a contradição de gostar de você e te achar um idiota.
Todos os dias eu tenho que escolher não gostar de você.
Todos os dias eu tenho que lutar para não deixar que o sentimento se sobreponha a minha razão.
Todos os dias.

E acredite, isso é bem difícil.
Ponto.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O que querem eles, afinal?


Há alguns meses uma amiga me chamou a atenção para uma coisa que eu nunca tinha pensado: Afinal, o que querem os homens? E desde o dia em que ela me fez essa pergunta, nunca mais esse questionamento deixou a minha cabeça em paz.

Conheço uns caras que eu realmente não consigo entender o que querem da vida. São adultos, moram sozinhos, trabalham, mas, ainda assim, agem como uns adolescentes de 16 anos que querem comer o mundo. Digo isso porque são homens – ou meninos, ou moleques - que ficam com umas gurias que são tudo o que eles mais deveriam querer na vida e, no entanto, não dão a mínima. Quer dizer, dão a mínima. E só. Quando na realidade, deveriam dar o máximo para continuar com elas... Mas.... não é o que acontece.

Caso 1. Pô, ele fica com ela não sei há quanto tempo, a menina é mó gente boa, bonita, inteligente, gosta dele, os amigos dele gostam dela, passam vários e vários finais de semana juntos... mas e daí? Nada. É uma menina com quem ele fica há anos. Ponto. O relacionamento não passa disso, não evolui. E se a pobre donzela toca no assunto namoro, pronto, parece que foi declarada a terceira guerra mundial, afinal, o rapaz “não está nesse momento”...

Caso 2. A mocinha é mó menina de família, toda meiguinha, toda menininha, sonha em casar e ter filhos, corpão, bonita, inteligente, gente boa... E o cara? “Ah, sabe o que é? Tô focado em outras coisas agora”. Ah, tá... Mas quando você quer dar uns beijos nela, você muda seu foco e aparece, né ? Sei, entendi... Pena que mude apenas momentaneamente e depois volte a cair num buraco negro...

Caso 3. A menina é gente boa, todo mundo gosta dela, ela paga um pau do caralho pro cara, é bonita, até os amigos dele querem ficar com ela, maaaaas o dito cujo mesmo.... Deixa claro que “não tem mais nada a ver eu e a fulana. Tá tranquilo, pode ficar com ela, se ela quiser...” Fala isso, mas faz ceninha quando alguém chega junto mesmo. Ou seja, diz que não quer, mas está sempre por perto para garantir que ela esteja sempre ali à disposição dele. E solteira, obviamente.

Caso 4. ....

Bom, eu poderia citar vários e vários casos aqui de casais como esses, pois conheço vários. Fico pensando no que esses meninos aí devem pensar da vida. Todos estão com meninas que super valem a pena, mas preferem não assumir nada ou ficar de ondinha porque ainda deve ser mais legal pagar de solteiro na praça do que assumir que está com alguém - mesmo que esse alguém seja alguém com quem valha a pena estar. Não estou aqui dizendo que o pobre rapaz indefeso, coitado, deva querer casar e ter filhos no mês que vem com a menina, não é isso, pelo amor de Deus. O que estou dizendo é que eu fico pensando: o que mais esses caras querem ou esperam de uma mulher? Eu sinceramente não sei. Porque todas as meninas que citei são realmente bonitas, inteligentes, gostam dos meninos, não são piriguetes, não são vacas, trabalham, pagam as suas próprias contas, vestem-se bem... ou seja, não sei qual o critério elas não atingiram para não mudar de colocação no coração dos rapazes em questão... Tudo bem, talvez nem eles saibam... Talvez ainda eles é que não mereçam realmente estar com elas.

Enfim, não sei o que eles pensam da vida. Sinceramente. Talvez, eles se sintam seguros o suficiente e por isso mesmo não deem o valor que deveriam dar. Talvez também se um dia percebessem que perderam uma excelente companhia, acordariam. Mas, são homens, né... E em se tratando de seres do sexo masculino, ninguém jamais vai entender o que se passa pela cabeça deles... Maaaas, pior mesmo será o dia em que encontrarmos esses cidadãos agarrados em piris e/ou vacas pagando de namoradinhos. E cornos, claro. Aí, quando isso acontecer, o que a gente faz? Ri da cara deles ou chora da nossa, hein???? rs

Beijos e bom restinho de semana pra todos!

domingo, 16 de outubro de 2011

Coming back

...Aí a gente muda a nossa vida por causa de um cara. A gente deixa de acreditar em coisas em que acreditávamos, muda de bairro, de cidade, de estado, de país. Muda de comportamento, muda de amigos, muda o jeito de expor sentimentos. A gente muda acreditando que assim, desse novo jeito, as coisas finalmente darão certo. E aí, mais uma vez, a gente quebra a cara. Porque não interessa o bairro, a cidade, o estado e o país, ele sempre será ele e você nunca deveria ter deixado de ser você. Essa é a grande verdade. Se você precisa mudar por alguém, pode crer.... esse cara não vale a pena.

P.S.: Quantas vidas eu vou ter que viver pra aprender isso?

Be yourself.
Sejam todos bem-vindos ao Pra Que Mesmo?. Divirtam-se!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Só um conto...

Eram casados há anos. Ele, um homem sério, advogado respeitado e conceituado, um cidadão acima de qualquer suspeita. Ela, uma linda mulher, médica e mãe de dois lindos filhos já crescidos. Casal discreto, jamais se envolveu em quaisquer escândalos do bairro ou quiçá da cidade em que moravam. Viviam bem, felizes. Até que um dia.

O problema das vidas perfeitas é que sempre vai chegar o momento do “até que um dia”. E pra eles o fatídico dia chegou em uma manhã de inverno. Ambos acordaram felizes, como sempre. Tomaram café juntos e leram os jornais, cada um o seu caderno preferido. Ele com seu terno azul-marinho e ela com sua calça de brim e blusa de seda. Alinhados e aprumados, terminaram seu ritual matinal e preparavam-se para o trabalho quando ele, elegantemente, levantou-se da mesa e foi até a pia para levar a sua xícara de café. Até aí nada de mais se não fosse um detalhe quase imperceptível: um fio de cabelo dourado.

E lá estava aquele fio de cabelo louro e longo grudado no terno dele. Era quase uma confissão. Ela acompanhou os movimentos do marido em silêncio, observando o tal fio, pensando em uma boa desculpa para aquele fio estar ali pregado onde estava: na parte traseira e baixa do paletó, cortando o tom azul-marinho do tecido, gritando que ali estava e queria contar algo. O que quer que fosse.

Ela não disse nada. Apenas olhou. Despediu-se do marido, seguiu para o hospital, mas sua cabeça não estava em nenhum dos pacientes ou prontuários... estava nas cabeleiras loiras que sua própria imaginação criava. “Estaria ele me traindo?”, pensou. Olhou-se no espelho, analisou seus cabelos curtos e negros. Passou as mãos por eles. “Quem será a dona daquele fio perdido? E de onde veio esse, será que outros ainda virão?” .

Decidiu simular uma enxaqueca daquelas e foi embora do plantão, coisa jamais feita. E sob os olhares preocupados dos companheiros de trabalho, buscou o seu próprio carro e saiu desembestada. Correu pelas avenidas da cidade onde moravam até encontrar o que buscava: uma loja de perucas. Não hesitou, entrou. Saiu de lá loira, loiríssima. La femme fatale. Longos cabelos platinados agora ela tinha. Ainda que não grudados originalmente em sua cabeça, mesmo assim eram dela.

Entrou em outra loja, agora de roupas, e resolveu também trocar a calça de brim e a blusa de seda por outras peças. Roupas colantes e provocantes vestia agora. Vermelhas. Finalizou a produção com óculos escuros e com um salto agulha 15. Estava pronta. Não era mais a tal médica, aquela, a mãe de família e esposa dedicada. Era outra. Outra que ainda não havia decidido quem. Mas era ela. A nova ela.

Parou ali na esquina da tal cidade, já sem o carro. De pé ficou ali naquela esquina onde todos os homens à procura de diversão passavam. Negociou preços: não cobraria nada. Faria aquilo apenas por vingança. Pararam um, dois, três carros. Irreconhecível estava, não haveria perigo. Além do mais, quem ousaria pensar na mulher do advogado, aquela senhora tão distinta, que usava calças de brim e blusas de seda? Ninguém. Decidiu. Entrou no quarto carro. O motorista era um senhor de cabelos brancos. Não grisalhos, mas brancos como algodão ou como o pelo de um poodle. Entrou e se foi com ele.

Terminada a ação, voltou ao local onde havia deixado o seu próprio carro. Trocou-se. Voltou a ser a médica, a mulher do marido, a esposa dedicada. Mas agora com uma diferença: a sua alma estava lavada, sua honra havia sido recuperada. Havia se vingado, seja lá do que fosse. Voltou para casa. Estranhamente, sentia-se feliz com o seu feito.

Dia seguinte. Marido e esposa acordaram felizes, como sempre. Tomaram café juntos e leram os jornais, cada um o seu caderno preferido. Ele com seu terno, hoje não mais o azul-marinho, mas sim um cinza-escuro. Ela, calça de brim e blusa de seda. Peças diferentes para um mesmo estilo. Devidamente alinhados e aprumados, saíram para seus respectivos compromissos. Ele, para o escritório de advocacia. E ela... Ela mudou sua agenda. Deixou o seu carro no mesmo local do dia anterior. Trocou-se. E ali na esquina parou, com seus longos fios loiros, sua roupa grudada e seu salto 15. E assim, escolhendo carros, descobriu sua nova vida, sua nova profissão.

E assim viveram. Felizes e ainda por muitos anos. Fios loiros nunca mais foram vistos no terno azul-marinho do marido. Mas longos fios loiros podiam ser vistos todos os dias naquela esquina. Fios loiros, roupas justas e salto 15. Todos os dias, até que um dia...

domingo, 21 de agosto de 2011

Cavernas

Dizem os mais sábios que em uma relação há sempre aquele que domina e aquele que é dominado. Dizem também que por sermos assim, nunca devemos demonstrar por completo o que sentimos pelo outro.


Dizia-me uma amiga que o homem conserva, até hoje, o instinto caçador que nele existe desde o tempo das cavernas. E isso significa dizer que ele, o homem, esse ser tão absurdamente primata, ainda hoje mantém o seu desejo por presas. Especialmente as novas. Ou aquelas que ele considera novas. Dizia-me ainda a tal amiga que nunca, jamais uma mulher deve deixar que o (seu) homem saiba o que ela sente por ele. Nunca, continuava ela, um homem pode saber que a (sua) mulher o ama acima de qualquer coisa e que por ele faria qualquer coisa.

Não acredito que isso seja um privilégio masculino, mas sim um privilégio (???) da raça humana. Todo ser humano, homem ou mulher, é assim. Basta saber que alguém estará sempre ali, à espera, para deixar esse serzinho de lado. Mesmo que inconscientemente. Afinal, ele sempre estará por ali mesmo. Porém, a qualquer sinal de desinteresse ou frieza, parece que o velho eu-primata ouriça os pelos e acende uma luz de alerta, deixando o tal ser dominante extremamente à mercê do outro, o dominado. As posições se invertem. Em outras palavras: se você caga pra alguém, esse alguém corre atrás de você; se você corre atrás de alguém, aí o tal alguém cagará para você.

O ser humano é assim. Gosta daquilo que não tem. Pelo menos não por completo. O ser humano gosta da caça, da conquista, da busca. A partir do momento em que ele sente que tudo está na mais perfeita ordem, na mais perfeita paz, no mais perfeito controle, já era. É preciso o tempo inteiro estar buscando, estar com a pulga atrás da orelha, estar com aquela sensação de “será que ela(e) me ama mesmo?”. A dúvida, apesar de tudo, ainda é um grande fetiche, queiram vocês ou não.

Veja, não estou aqui fazendo apologia à insegurança ou desconfiança. Longe disso. O que quero dizer é que não adianta ficar correndo atrás de ninguém o tempo inteiro. Isso cansa. Pode perceber: quanto mais se corre atrás de alguém, mas esse alguém escorrega pelos dedos. E por outro lado, quando se deixa um “quezinho” de dúvida, o ser amado, desejado, idolatrado sempre fica por ali, marcando presença e mostrando que sim, ele é o melhor que se pode conseguir em mil anos de evolução...

Ah, como seria bom se juntamente com a Teoria da Evolução das Espécies viesse também a Teoria da Evolução das Mentes... No fundo, homens e mulheres são seres ainda não muito racionais. Querem - e precisam - ser amados, mas se se sentem amados em tempo integral, se cansam e querem novas emoções. Querem e precisam amar, mas se amam, temem demonstrar esse sentimento. E se demonstram, correm o risco de afastar o outro ser envolvido. Se não demonstram, o risco é o mesmo... Oh, coisinha complicada essa!!

Qual a solução então? Não sei... O que tenho visto - e aprendido - é que quanto mais nos mostramos entregues, mais vulneráveis ficamos. E quanto mais vulneráveis, mais chances temos de nos machucar. Mas, me explica, como não ficar vulnerável quando o coração da gente está completamente tomado??? Essa pergunta eu também não sei responder... Talvez, mais uma vez, a solução seja o tal do meio termo... Nem tanto, nem tão pouco... Não correr tanto atrás, mas também não deixar de lado. Não paparicar o tempo tempo, mas também não deixar o outro desolado. Seria então a filosofia do Morde-Assopra?? Hum... Acho que o grande lance é saber dosar presença e a ausência, certeza e dúvida, entrega e resguardo... Maaas, alguém aí sabe como se faz isso??? Se alguém souber, ótimo. E se alguém não souber, bem-vindo ao clube! E quem descobrir, por favor, me conte... Ando realmente precisada... hehehe


Um grande beijo e boa semana para vocês!

quinta-feira, 18 de agosto de 2011



...Porque ele tem o beijo mais gostoso, o abraço mais aconchegante,
o sorriso mais safado e o jeito mais perfeito de me conquistar...
E é por isso que eu gosto tanto, tanto, tanto dele.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

You don't understand

Descobri que o nosso problema é timming. Você é rapidinho demais e eu devagar demais. Eu demoro para entender, pra criar coragem, pra te olhar, pra responder... E você? Você olha, abraça, beija, fala e sai em uma fração de segundos. Você me deixa tonta e sempre me surpreende com suas frases desconcertantes. Como alcançar você? Como andar ao lado de alguém que está sempre com tanta pressa?

Eu demoro dois meses pra aceitar seu convite, uma semana para entender a sua jogada de charme, um dia inteiro pra praticar o que vou te dizer e cerca de duas horas pra escrever uma mensagem que eu nem vou enviar. Você, porém, tem gana, pressa. Está sempre correndo. Você não entende a minha maneira calma de comer, a minha mania de olhar pro lado antes de responder às suas perguntas, o meu jeito de querer ficar apenas encostadinha em você enquanto assistimos a um filminho infantil... Eu preciso desse tempo de aproximação, preciso para me sentir segura, mas você não entende.

Não entende porque pra você as coisas são velozes demais. Uma semana é tempo demais. Um dia é tempo demais. Trinta minutos é tempo demais. Você não tem paciência pra me esperar ou me deixar relaxar ao seu lado. E no meio tempo entre você se aproximar e eu permitir a aproximação, você já partiu pra cinco outras diferentes. Cinco outras que não esperam nada, que só enxergam a carne exposta. Sim, você tem pressa. Você não tem tempo a perder com alguém que demora tanto para decidir algo.

O que você não entende é que eu já decidi, mas te contar a decisão demora mais alguns dias. Ou semanas. Ou meses. E eu queria que você entendesse que a minha lentidão é só medo. É medo do seu relógio ultra-sônico, medo da sua fugacidade, medo de ME permitir à sua presença. Medo de dizer um sim com todas as letras e depois me arrepender. Porque pra mim, presenças são importantes... E por isso eu gosto de ir com calma, porque não, eu não enxergo só a carne exposta. Eu enxergo você. Por inteiro... Mas isso você também não entende. A sua pressa nunca vai te deixa entender.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

O texto da discórdia

Vai entender.

Em uma conversa despretensiosa com um colega de profissão, falávamos sobre a quantas anda o meu belo coraçãozinho. Eu sei, todo mundo sabe, que eu preciso que ele, o meu miocárdio, se recupere de uma vez por todas de todos os amores mal sucedidos pelos quais já passou. Eu confessei a ele, ao amigo, que estou até fazendo terapia para isso, e que já estou, inclusive, bem melhor. Que as feridas já não doem mais, maaaas, ainda tenho dificuldades em deixar que outros se aproximem do meu coraçãozinho machucado e arredio. Mesmo que seja para tratá-lo. Isso, conscientemente falando, é claro.

Fato é que de repente, mesmo com toda a minha guarda armada, me vi gostando de alguém novamente. Não me perguntem como isso aconteceu, mas aconteceu... Mas, eu, fechada como sempre, não tive certeza sobre o que queria com esse rapaz. Agi errado, meti os pés pelas mãos, fui ciumenta, mesmo não podendo ser, fiquei confusa. Me senti tão perdida quanto uma garotinha que de repente solta a mão da mãe em meio a multidão e não sabe mais pra onde ir ou como ir. Fiquei realmente perdida. Perdida e com um sentimento estranho morando dentro do peito que eu não sabia como lidar. Mas, deixei de me sentir sozinha. E vi que sentir era bom.

Um dia, eu parei e me dei conta. Como foi que esse sentimento brotou aqui dentro? Em qual momento eu permiti que ele, o tal rapaz, entrasse e transpusesse a barreira que eu coloco em volta de mim? E aí, eu descobri que não, eu não permiti. Mas ele sim conseguiu o feito. Incrivelmente, ele conseguiu passar pela cerca de vidro que há em volta do meu coração. E nem foi por querer, que fique claro. Simplesmente conseguiu... Sabe-se lá como, ele achou um buraquinho e conseguiu passar por ali. Não por inteiro, de uma só vez... mas aos pouquinhos, dia após dia. Por não saber o que se passava aqui dentro, ou ainda, por não saber que havia uma cerca, ele foi entrando. Achou uma passagem e entrou. Simples assim. E aí, eu conversei com a minha terapeuta. Como isso aconteceu? Por que ele conseguiu o que tantos outros não conseguiram? E por que logo ele, tão errado? E ela me respondeu com cara de paisagem: ele não teve medo, só isso. Ele simplesmente fez.

Esse rapaz em questão não me tratou como "a-linda-princesa-intransponível", como "a-pobre-mocinha-enfeitiçada-que-não-consegue-amar", como a "donzela-que-precisa-curar-o-coração-antes-de-amar-novamente". Não, ele ignorou - literalmente - tudo isso e me arrancou do meu lugar comum, sem muitas perguntas ou questionamentos ou esperas. Ele simplesmente me puxou pra fora da minha casca e me conquistou. Mesmo que tenha sido pra nada, ele me conquistou. E eu, mais uma vez, do alto da minha descrença, vi que sentir era bom.

E por que estou contando tudo isso? Porque, voltando lá no início do texto, na conversa com o amigo, o colega de profissão, ele me disse que estaria na porta esperando por mim quando eu estivesse pronta. E eu pensei em tudo isso que contei aí em cima: na espera e na não espera. Pensei no entrar sem pedir permissão... E pensei no quanto esperar por mim pode ser complicado. E acredite, não é por querer.

Tenho um coração realmente machucado. Aliás, nem tenho um coração inteiro... tenho vários caquinhos que, aos poucos, vão se juntando e formando um coração novo, com algumas cicatrizes, eu sei, mas aos pouquinhos e do jeitinho dele, apresenta uma melhora. Mas, não, ele ainda não está abrindo as portas e convidando para uma festa de inauguração. Cheguei a conclusão de que se alguém realmente me quiser, não vai poder ficar simplesmente esperando na porta, esperando que eu abra... cheguei a conclusão de que se alguém realmente me quiser, terá que ir além: terá que entrar, mesmo sem o convite. Deverá achar uma brecha, pular janela, até mesmo arrombar a porta, se for necessário. Porque eu, neste momento, por conta própria, não vou abrir meu coração pra ninguém. Agora, se alguém conseguir entrar, será muito bem-vindo.

Entendam, não é uma escolha minha... é só uma questão de receio. Ou medo. Ou tempo. Sei lá.
Fato é que eu preciso (veja bem a escolha do verbo) de alguém que tenha essa coragem: de entrar simplesmente e encontrar um cantinho aqui dentro e transformar esse cantinho num cantão. O cara que tiver peito pra isso leva o coração da mocinha que vos escreve. E eu, que já vi que sentir é bom, até agradecerei se isso vir a acontecer.

Mas e agora, depois de dito tudo isso, será que alguém AINDA se habilita??

Beijos e boa semana para todos!