domingo, 11 de janeiro de 2009

Feelings II

Vou iniciar o texto com uma frase estranha: algumas pessoas parecem personagens da Clarice Lispector. Pra quem acompanha a obra desta senhora tida como umas das maiores escritoras brasileiras, sabe do que eu estou falando.

Eu particularmente não sou fã dela. Li três livros e mais uma penca de pequenos textos (contos ou crônicas, não sei ao certo). Além disso, na época da faculdade fui obrigada a fazer vários trabalhos sobre ela e coisa e tal... Todo mundo queria me convencer a gostar do que a tal Clarice Lispector escrevia. Mas não, ninguém conseguiu me convencer. Nem ela mesma. Como gostar de personagens que após ter uma epifania voltavam ao mesmo ponto, ao ponto de partida ? Pra mim, não rola.

Além de não gostar da quantidade de metáforas que ela utiliza em suas obras, eu não gosto das personagens criadas por ela. Como entender alguém que descobre um mundo novo, muito mais excitante e resolve voltar pro mundo antigo e sem graça ? Aquele mesmo mundinho que reclamava antes da manifestação ? Não sei, não sei.

Bom, o que quero dizer é que tem um monte de gente assim. Que mesmo após ter uma "visão" de algo novo, estremece e paralisa, preferindo a segurança daquilo que já é conhecido. Mesmo que isso acarrete permanecer na mesma vidinha de sempre. Eu não sei o que é pior: não tentar ou tentar, visualizar, temer e voltar. Acho que eu realmente tenho problemas.

As pessoas têm medo, é isso ? Droga! Medo ?? Eu não admito o medo... Nada pode ser pior do que permanecer no ostracismo de uma vida medíocre. Pra que experimentar novas coisas se não vai ter coragem de mudar ? Sentir o gosto da vida e decidir que a segurança de um casamento sem amor ou um emprego que não te satisfaz é mais importante do que a sua felicidade ? Realmente isso não é pra mim...

As pessoas permanecem em namoros sem amor, em casamentos sem tesão, em empregos sem motivação, em um monte de coisas porque temem o "não conseguir algo melhor". Como saber se será melhor se você não tentar ? Como saber se existe vida lá fora se não se permite abrir a janela e sentir a brisa fresca no rosto ?

Eu sei, você vai dizer: C'est la vie, Elem. Mas isso me indigna. Assim é a vida ? Um amontoado de coisas que vão acontecendo, acontecendo sem que possamos alterar, ou pelo menos controlar o que entra ou sai ? Quando se vê, a vida passou. E você ? Viveu fazendo o que não queria, com quem não queria. Vamos brincar assim: se hoje fosse o seu último dia e Deus permitisse que você visse toda a sua vida. O que você veria ? Estaria feliz com o que viu ? Se a sua resposta foi positiva, ótimo. Mas se não for, cuidado... você corre um grande risco de estar desperdiçando seu bem mais precioso.

Eu posso ser louca de pensar assim, posso ser uma imatura que ainda acredita nessas coisas. Mas eu sou fiel às minhas crenças. E esta é uma delas. Não quero uma vida nova a cada dia, pessoas novas a cada esquina. Quero amor, tesão, gosto. Em tudo. Inclusive, e principalmente, nas coisas que já estão comigo. Reinventar, reciclar. E se não der mais, paciência. Vamos tentar então ? Recicle suas idéias, seus amores, suas atitudes. Viva a vida com dignidade (ou seria intensidade ?). Diga não ao dias mornos.... Faça valer a pena. Todos os dias. E que assim seja. Amém.

4 comentários:

Anônimo disse...

...E assim caminha a humanidade...com passos de formiga, sem vontade.. Cada um tem o seu tempo. Pra tudo. Bjs, gostei do texto!

B. 7 disse...

muito bacana o texto... visitarei com frequencia.

http://brucolita.blogspot.com/

Eu sou a Fabiana Carneiro, disse...

Cada um tem seu tempo. Para tudo. [2]

Eu acho que somos melhores espectadores do que protagonistas. Deve ser isso. Só pode ser isso.

Gyoto disse...

Não sei não.. Já fui protagonista de muitas atitudes idiotas por não saber reconhecer algumas limitações ou por não estar pronta ainda para agir. Algumas vezes calar-se é sábio, e não necessariamente passivo. Veja, alguém pode escolher calar-se. Por agora é isso...