sábado, 15 de novembro de 2008

Sem assunto

Tenho a impressão que algumas pessoas não querem ter uma vida diferente. Talvez por não saberem que pode haver algo diferente ou porque simplesmente gostam – ou estão acostumados – com o lixo em que vivem.
Vejo um monte de gente todos os dias. Um monte mesmo. De todas as classes, idades, gêneros. E dentre esse monte, tem uns tantos que parecem ter deixado de viver. Ou pelo menos, parado de tentar mudar algo em suas vidinhas. Ou pior, nem iniciado sequer uma vida. Por outro lado, no entanto, vejo outros dando a volta por cima. Batalhando, correndo atrás, indo em busca de um sonho. Contrariando a tudo e todos e seguindo em frente.
Pra quem não sabe, trabalho com adultos que voltaram a estudar. E é gratificante ver como algumas pessoas querem aquilo, querem mudar suas condições atuais. Gente que trabalha, cuida de marido, de filho, de papagaio, de patroa, de filho de patroa, mas que apesar de toda dificuldade, à noite está lá firme e forte: “professora, me ajuda”, “professora, me ensina”, “professora, quero muito aprender isso”. É bonito de ser ver, gente. Bonito mesmo. Não tô falando de gente novinha, não. Falo de gente com cara enrugada, com mãos calejadas, com unhas imundas do trabalho, com uniforme de empresas... Fico emocionada com essas coisas. E desde que comecei meu trabalho com essas pessoas, minha visão anda muito mais crítica com os outros alunos: os novinhos. Aqueles que têm como “obrigação” única da vida estudar. É difícil olhar um cara que é expulso toda semana da escola e não pensar nisso. Não pensar naquele senhorzinho que aos cinqüenta, sessenta anos, pede um dicionário de presente para poder estudar quando não estiver na escola... Desculpe a sinceridade, mas meu coração fica revoltado quando vejo um bando – sim, um bando – de crianças mimadas achando que mandam no mundo, fazendo o que querem e bem entendem. Ou melhor, não fazendo, porque tudo hoje já vem pronto, não precisa ser feito. Informação pronta, comida pronta, escola pronta, atividades prontas. Eles não precisam pensar. Pra que se esforçar então ? Fico me perguntando o que será dessa geração... De verdade me pergunto. E sinceramente tenho medo do mundo em que meus filhos viverão. Não quero um filho assim: inconseqüente.
Tá, eu sei, você vai dizer: “isso vem da criação”. Mas eu vou responder-lhe: os pais estão perdendo o controle da coisa. Os pais, a escola, a família. Os jovens de hoje entendem bem de modas, bonés, bermudões, chapinhas e tons de cabelo. Ah, e claro, internet. E só.
Enfim.
Claro que não posso generalizar, mas é que estou preocupada com isso. Uma amiga me disse uma coisa que deve ser verdade: segundo a teoria do caos, quando uma coisa está em profunda desordem, isso significa que alguma reorganização vai haver em breve. E ela acredita que estamos vivendo esse momento. Será ? Assim como ela, não sei se estou pronta para participar do bum final/inicial.
Mas voltando lá pra cima. Orgulho dos meus alunos adultos. Orgulho mesmo. E orgulho também dos novinhos que já perceberam que a vida não virá pronta, embrulhada para presente com laço e tudo. Façamos por onde para conquistar uma vida melhor. Que assim seja. Amém.

3 comentários:

framboesa amora disse...

Adorei porque você conseguiu transferir exatamente o meu pensamento...concordo com você!
Espero que tudo melhore!!
Assim seja. Amém.

Marcia disse...

Os alunos adultos realmente nos mostram outras possibilidades e nos fazem pensar que é possivel ir em frente. Tb tenho muito orgulho deles! São as meninas dos nossos olhos!

Sexo, Poesia e Bossas Velhas disse...

eu curti muito tb dar aula pra gente mais velha q voltou a estudar, fui adolescente e qdo me lembro de como eu joguei fora aquele tempo, enfim, nao dá pra mudar o passado, o futuro a gente faz hj, acho q acordei a tempo. alguns amigos demoraram a acordar e só entraram na faculdade aos vinte e poucos, mas 90 por centro nem passou perto