segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sobre buscas

Há algum tempo, a Martha Medeiros escreveu uma crônica que eu adoro chamada “Interrompendo as buscas”. Claro que eu sou suspeita porque adoro quase tudo o que ela escreve. Mas hoje, eu estava aqui em meu quarto, deitada, vendo um filme tosco, quando de repente, do fundo da minha alma, eu desejei isso: interromper a busca.
Não, não foi proposital lembrar da crônica dela. Na verdade, eu sentei aqui em frente ao computer com a cabeça rodando... Palavras que desejavam sair, mas o sono não permitia. E foram elas que me fizeram ligar essa joça e pôr para fora os pensamentos desajeitados. Comecei a digitar coisas meio sem nexo aparente, quando de repente me dei conta de que eu estava falando as mesmas coisas que a Martha. Óbvio que não tão bem quanto ela, e nem com as mesmas palavras. Mas a temática era a mesma.
Era um filme tosco. Não era nem romance (até porque eu não gosto desse gênero). Quando, em meio a uma cena, a seguinte frase saiu de minha boca: “não quero mais isso”. A frase surpreendeu-me, não sei se mais pelo que ela representava ou se pela sinceridade com que foi dita. Dita, isso mesmo. A frase foi oralizada, embora eu estivesse sozinha em minha cama. E é verdade, não quero mais isso. Quero muito mais do que isso.
Não, eu não quero mais fantasmas, nem zumbis. Quero alguém vivo, alguém que me surpreenda, que me ilumine a alma, que me tire do chão, que brinde e até brigue comigo. Quero alguém por quem meu coração dispare, por quem minha barriga sinta frio. Alguém em quem eu possa confiar, alguém com quem eu passe momentos felizes e tristes, alguém com quem eu possa dormir e acordar, e dizer coisas simples como "boa noite", "bom dia", "eu te amo" e "eu também".
Definitivamente, eu cansei das andanças, das estadias e dos albergues. Quero agora parar. Quero um lugar tranquilo onde eu possa repousar minha cabeça no final do dia, onde eu possa esquecer o resto do mundo. Na verdade, quero alguém que me faça esquecer o mundo. Pelo menos, o mundo lá fora.
A Kerly sempre me diz que eu não desejo isso de verdade. A Benair diz a mesma coisa. Elas afirmam que eu falo da boca para fora... que no dia que eu realmente desejar, do fundo do coração, a mágica acontecerá. Bom, hoje veio do coração. Eu senti. Não, não foi nenhuma carência e nem nada parecido. Foi apenas uma vontade de "interromper as buscas". É, acho que essa é a melhor definição: desejo interromper a busca. Desejo encontrar alguém que me faça parar, que me mostre como o trivial também pode ser gostoso, alguém que simplesmente caminhe ao meu lado, fale quando for necessário ou cale quando for mais necessário ainda. Quero olhos e bocas, sim. Mas quero muito mais que isso: quero mãos, braços, pernas, coração e alma.

Chega. Chega das grandes emoções. Chega de montanha-russa, de trem-fantasma, de situações e pessoas que mexem e desafiam o meu medo. Chega dos desafios. Quero apenas parar. E descansar. E viver. Viver na calma, na paz, como há muito eu não vivo. Descansar e viver ao lado de alguém que me mostre que sim, vale a pena parar quando se chega ao objetivo.... E eu quero chegar ao objetivo. E com alguém que valha a pena e que deseje, do fundo do coração, as mesmas coisas que eu...

3 comentários:

Vanessa Ludwig disse...

Lindo texto, esses momentos de frases curtas que surgem lá do fundo mais escodido da alma mudam todo um conceito próprio e o de muitos - que se importam - a sua volta.
Ando numa fase semelhante, razões diferentes, mas a mesma vontade do não querer o que não me é proveitoso. Não vale apena correr atrás da tristeza sendo que a felicidade está correndo atrás de nós, basta pararmos e ela nos alcança por si só.
Beijos...
ps:o texto me fez muito bem =D

717 disse...

"Definitivamente, eu cansei das andanças, das estadias e dos albergues."
Simples, alugue uma casa, vc nao a compra e ainda pode morar nela...mas há um preço a pagar.

Marcia disse...

Dizem que qdo a gente deseja do fundo do coração, acontece. Que o papai do céu ouça seus desejos, que vc encontre a paz que procura e que vc sorria muito!
bj!