sábado, 2 de maio de 2009

Mais uma vez a cozinha

Cheguei em casa e percebi que minha mãe tinha mudado os móveis da cozinha de lugar. Vez ou outra, ela simplesmente muda todos os móveis da casa de lugar... Troca até mesmo de cômodo. No auge da coisa, ela troca os móveis também. Vende tudo e compra tudo novo. Sempre foi assim. Desde que me entendo por gente, nunca morei em uma casa que tivesse a mesma arrumação por mais de 30 dias. Talvez isso tenha influenciado a minha personalidade errante. Talvez, quem sabe...

Mas voltando... Aí, cheguei em casa e ela tinha mudado tudo de lugar. Armários, mesa, geladeira, fogão... ou seja, tudo. Não sei como ela consegue essa proeza. Às vezes, tenho a sensação de dormir em uma casa e acordar em outra...

Almoçando na "nova" cozinha, fiquei observando certas partes que eu nunca tinha reparado antes. As quinas, os azulejos, os lugares que antes estavam escondidos pela mobília agora estão à mostra. Fiquei pensando no tal do novo olhar. Há três anos moro neste apartamento e me dei conta que eu nunca tinha percebido como a cozinha da minha casa é bonita. Nunca tinha visto que os azulejos são brancos com flores amarelas. Também nunca tinha visto como o chão combina com as paredes azulejadas. Os móveis e os eletrodomésticos também estão em perfeita harmonia. Enfim, fiquei pensando nessas coisas: em como passamos tanto tempo olhando para coisas que simplesmente não vemos.

"Que triste", pensei. Há três anos nunca olhei para essa cozinha com os olhos da minha mãe. Nunca percebi como é bonita, como é limpa, como é bem cuidada... E olha que faço todas as minhas refeições nela, todos os dias, mas a correria do dia-a-dia (ou seria o comodismo de saber que ela estará sempre lá) me cegou. Pensei em quantas coisas passam por mim e simplesmente não enxergo. Pensei mais ainda. Pensei nas tantas pessoas para quem eu estou simplesmente passando sem que me enxerguem. Fui de um ponto a outro em dois segundos.

Tive uma semana corrida, atribulada. E por mais que eu não queira, tenho certeza que essa semana eu deixei de observar muitas coisas. Sei que deixei de olhar com atenção pessoas que precisavam ser vistas, sei que deixei de sorrir para pessoas que precisavam de um sorriso, sei que deixei de dizer coisas para pessoas que precisavam ouvir. Desculpem-me. Às vezes me perco no meu mundo autista. Às vezes me perco no meu "infinito particular". Recebi quatro mensagens essa semana que diziam "Saudades". De quatro pessoas diferentes... E isso sem mencionar aquelas que mesmo não dizendo nada, estão sentindo uma ausência repentina de minha parte. Me dei conta que estou em falta com alguns. Seria isso falta de amor ?

Questionei-me onde está o meu novo olhar de cada dia... E concluí que preciso olhar as quinas, azulejos e pisos de cada um. Todos os dias. Mesmo daqueles a quem vejo (quase) diariamente. Esse foi o ensinamento.

Sendo assim, prometi a mim mesma cuidar mais disso na próxima semana. Falar, dar atenção, acarinhar, perguntar, ouvir, responder. Estes serão os objetivos. Espero conseguir. E espero também contar com a ajuda de vocês. E para aqueles que estou em falta, me desculpem. Não é falta de amor, é distração apenas. Amo todos vocês.

Um beijo enorme.

2 comentários:

Marcia disse...

Acabo de assistir "ensaio sobre a cegueira" e achei teu post muito apropriado... Eu já tinha visto q tinha post novo, mas deixei pra depois. Justo pra depois do filme. Deve ser um aviso: pra eu olhar mais ao redor tb...
Qto a me amar, eu já sabia. (Foi uma piada, Elaine, sorria! :) Bj

Rafael disse...

Meu DEUS...
Quando nos casarmos, espero que vc nao seja assim, pq, vai que o Mengao ganhe um campeonato que nem semana passada? eu vou bebemorar o campeonato e quando chegar em casa, no sapatinho pra nao te acordar dou uma topada no fogão, ou de cara na geladeira. Ninguem merece... rsrsrsrsrs
bjs!!!